Benefícios de se morar na Finlândia

Às vezes alguém me pergunta “bah tchê mas tu ainda tá aí?”, não sei bem como interpretar o espanto. Fato é que eu nunca tive pressa nenhuma pra terminar a tese. Aliás, depois que comecei a trabalhar aqui (no meu 4º mês) eu definitivamente deixei os estudos em um segundo plano (ou terceiro, quarto). Já falei abertamente que me decepcionei um pouco com o conteúdo do mestrado, principalmente pelas cadeiras mais interessantes não serem oferecidas todos os semestres – pior ainda: algumas são só em finlandês!
Certas coisas compensam pelos pontos negativos, entretanto – o modelo de aprendizado (nem sei bem como “categorizar”) é completamente diferente do brasileiro. Talvez isso não se chame “modelo de ensino”, mas o que importa é que aqui a coisa é totalmente centrada no aluno. Não é o professor que despeja a matéria para a classe. A coisa vem pelo outro lado: são os alunos que precisam ir atrás do que querem aprender. Agora pense como isso se dá na sala de aula.

Se vc tem uma cadeira sobre compiladores, o professor vai dar 1 ou 2 dias de introducão básica. Depois disso, comecam os exercícios e trabalhos, onde os alunos têm (sim eu escrevo português anterior a 2008) que comprovar se estão aprendendo os conteúdos. Certas coisas não são abordadas em sala de aula, e vc tem que correr atrás por conta própria. Se parar pra pensar nas consequencias dessa “postura”, a gente vê que tem reflexos muito profundos. Aqui os alunos não podem ser preguicosos, senão nem terminam o primeiro ano.

Quem já estudou aqui vai contestar, dizer que não é bem assim porque as experiências que nós (estrangeiros) temos são sempre muito fáceis – mas lembrem-se que nós somos “biased”. Talvez eles facilitem mesmo nas cadeiras em inglês. Mas o meu ponto é outro: se vc é finlandês e é aluno vagabundo desde jovem, vc não vai a lugar nenhum. Falo por experiência “quase própria”; vários ex-colegas do ensino médio simplesmente não foram aceitos na faculdade devido às notas do lukio. Voltando ao mestrado: eu não me decepcionei com o estilo de ensino, mas com a falta de opcões de cadeiras, com a infrequência de coisas mais avancadas e incomuns. Por exemplo estou até hoje esperando por uma cadeira de arquitetura de processadores. Sem falar em inteligência articial…

Como o ensino é centrado no aluno e em seu esforco e interesse; os professores são um pouco mais flexíveis com uma série de coisas: desde os assuntos dos trabalhos e pesquisas até as datas limite para entregas.

Este é o primeiro de uma série de posts que eu pretendo escrever sobre as “vantagens” de morar aqui. Já vou aproveitar para falar também de uma coisa que me incomodou muuuito no Brasil no último verão: prestacão de servico! Aqui quando vc compra um servico, eles realmente prestam aquilo que vc contratou. Por exemplo, se vc compra Banda Larga móvel da Claro, eles vão dizer que a conexão funciona 99% do tempo e que a velocidade é de 1mbps. Só que eles não dizem que na verdade não há infraestrutura para prestar este servico para mais pessoas ao mesmo tempo – tem horas no dia que o troco funciona pior que uma linha discada dos anos 90. Isso não é servico que se preste!!! Vou postar um screenshot de um download que eu fiz essa semana, veja o detalhe da velocidade: era uma transferência da trolltech.com em Berlin.

Banda

Banda

Isso mesmo! São mais de 2 megabytes por segundo. Isso equivale à um contrato Claro para 21mbps. O que importa mesmo é que eu posso contar com esse servico pelo menos 23 horas por dia. Nem quero lembrar das batalhas lá em Gramado com a BrasilTelecom, onde a gente mal tinha sinal e a droga da linha tinha tanto chiado que a banda larga era praticamente intermitente…. arggggh se eu voltar pro Brasil……

Fabi

Ela sempre reclamou que nunca aparecia aqui no blog! Além de ser uma eterna insatisfeita com as fotos que a gente tira dela, nunca tinha me dado conteúdo “postável”. Mas, finalmente, temos post!

Nem me lembro quando ela saiu do Brasil, porque eu já havia voltado das férias no Br para a Finlândia. Chegou na Suécia no fim de janeiro e ficou hospedada na casa de uma “madrinha” até se mudar para a casa da mãe Joana, er, quer dizer, para a república. A Fabi não tem blog mas acho que quase toda a família tem orkut então podem conferir pelo menos as fotos lá.

No fim de Fevereiro ela resolveu visitar a Finlândia, ver o que é inverno de verdade. Teve até um pouco de sorte – não estava muito frio, apesar de umas “reclamacõezinhas”. Fomos na sauna (ela ainda não conhecia); fizemos snowboard, onde ela quase se matou, mas tudo bem… e claro ela conheceu um pouco de Tampere. Mas o mais legal de tudo mesmo foi só aproveitar as nossas companhias! Pai e mãe, a gente nem brigou hein! :P

Buenas, fotos estão no orkut então nem vou postar muita coisa aqui – fica só uma de “eyecandy” heh.

Depois do snowboard, fazendo o tal "snow angel". Quem sabe um dia eu posto os vídeos no youtube... mhuamhuamhua (risada malígna)

Depois do snowboard, fazendo o tal "snow angel". Quem sabe um dia eu posto os vídeos no youtube... mhuamhuamhua (risada malígna)

in Onnela

in Onnela

O que é que eu estou fazendo??!?

Eu sei que faz um tempão que não escrevo sobre mim mesmo aqui. É que realmente não tem dado tempo pra escrever. Desde que o pai e a mãe voltaram para o Brasil, após o nosso Eurotour; andei tão ocupado que cheguei a me atrapalhar com algumas coisas.

Novidades então… hmmm, bom o mês de agosto foi uma correria danada para arranjar o aluguel de um novo apartamento; compra de mobília, e a mudanca. Agora estou vivendo em Hervanta, a 5 minutos do escritório. O apartamento é enorme, só o meu quarto já tem mais de 24 metros quadrados – e ainda por cima tenho uma varanda! Isso aconteceu em meio a compra de um laptop novo (hp pavillion Intel Centrino Duo 1.8Ghz, 4GB Ram, 2x250GB, BlueRay DVD+-R, Gigabit Eth + Bluetooth + WLan; 17″ Radeon GS8600 250MB DVI + monitor externo 24″ Dell) e também um Nintendo Wii (que vai ser usado para a tese/dissertacão).

Eu não vivo só para o trabalho (obviamente) então é claro que tivemos umas festas também (para “comemorar” o novo semestre). Como eu estava saindo do apartamento antigo (onde morei mais de 1,5 ano), resolví fazer uma despedida lá. Para minha surpresa acabou que o pessoal do prédio inteiro resolveu ir conferir. Foi legal porque os novos inquilinos são intercambistas novos recém-chegados, então assim já de cara acabamos nos conhecendo todos. Este semestre parece que tem uma galera bem mais gente-boa que antes, vai dar uma social bacana. Um novo companheiro de apartemento que chegou em Agosto é um cara da Espanha (Jordi) que quase não fala inglês… chega a angustiar quando a gente conversa heheh. O outro é um finlandês que praticamente não sai do seu quarto – mas já to acostumado com o comportamento finlandês… então tiro de letra.

No novo apartamento (para onde me mudei em definitivo e oficialmente na segunda semana de setembro) eu divido com um amigo Italiano, o Roberto. Este chegou em Junho para trabalhar. Nós moramos juntos no ap antigo, e quando ele saiu resolvemos alugar o mesmo apartamento porque eu também estava querendo sair de Lukonmäki.

Durante setembro chegou oficialmente o outono; com a coloracão e queda das folhas. Infelizmente eu perdí um pouco deste período bonito aqui – é que fiz 2 viagens, uma para a Franca em Marselha, e outra para a Espanha em Barcelona. Então estive fora da Finlândia por metade do mês.

BAHHH como é legal a Franca! Marselha é uma cidade praiana bem grande, bom para quem gosta de velejar (nunca ví tanto barco no mesmo lugar). Viajamos também (eu e Céline) para uma cidade chamada Aix en Provence (pronuncia-se Ésãnprovãnce) onde eu tinha planejado fazer outro mestrado depois de sair da Finlândia. Resultou que esta outra cidade, Aix en Provence, é super charmosa e acolhedora. Ambos adoramos a cidade, até dá vontade de morar lá. Mas bem, o mais legal da viagem mesmo foi poder ir pra praia, nadar no Mediterrâneo e conhecer uma geografia bem diferente.

Já Barcelona para mim não foi tão interessante. Eu diria que é relativamente parecida com Porto Alegre – mas CALMA! Claro que é muito maior, muito mais limpa, muito mais organizada, com muito mais infraestrutura, e com muito mais … hm como direi … relíquias! Mas, não achei grandes coisas. Talvez a minha opinião seja um pouco bias considerando que eu tenho predilecão por cidades como Paris, Estocolmo, Veneza, Gent… Enfim, na Espanha eu me senti quase no Brasil; não fosse pelas diferencas linguísticas. Na verdade eu fui lá para visitar 3 amigas, Nagore, Patrícia, e Pilar. As duas primeiras vêm do Pais Vasco, e falam Euskera (uma coisa muito doida que é até parecida com Finlandês); e em Barcelona se falam Catalão e Castellano. Então tu já viu a bagunca… mas eu me virei super tranquilo com o nosso famosíssimo Portunhol. Até aprendí castellano; foi tipo uma viagem de imersão, as meninas não facilitaram e só falavam em espanhol… Com tanta viagem e tanta confusão mental, algum acidente teria que acontecer; eis que no último dia, perdí o vôo de volta da Espanha para Finlândia – tive que comprar outro e aí se vão 393€ para o lixo! Que grande M! Mas tudo bem, deixamos isso pra lá porque afinal a viagem foi excelente, super divertido encontrar o pessoal lá. Aliás, eu diria que o ponto alto da viagem foi justamente a companhia dos espanhóis. Essa gente que eu conhecí aí é super agitada, saímos na sexta e sábado voltando só no outro dia demanhã… faz uns 10 anos que eu não faco isso! Mas valeu a pena mesmo, fiz mais umas memórias valiosas.

Bueeenas, agora que estou devolta, o que pretendo fazer é 1) terminar de organizar o AP novo e 2) reiniciar a tese. Então vou ficando por aqui, mais tarde vou editar este post novamente para colocar umas fotos.

Fui!

Tiroteio em escola da Finlândia

Pois é, mais um. Ano passado a populacão já se chocou com o maluco que matou 8 naquela escola perto de Helsinki. Agora esse outro doido resolveu seguir o mesmo caminho… O nome do fulano é Matti Juhani Saari, completou 22 anos há pouco tempo. Estudava na escola profissionalizante de Kauhajoki e matou outros 9 estudantes antes de atirar contra a própria cabeca. Ainda não morreu, está internado em um hospital aqui em Tampere, o TAYS – que por coincidência é onde trabalha a Aura, noiva do Risto.

Bom, a imprensa já está inundada de notícias sobre o fato, então não vou nem me dar ao trabalho de falar muito sobre o assunto. É só uma pena que essas tragédias não sejam evitadas. Triste mesmo…

Globo.com

Aamulehti.fi

Avanto

É o que eles chamam quando o indivíduo vai pra sauna e pula no lago. Foi o que eu fiz no último domingo. O Júlio passou aqui em casa e nós fomos (eu, Cezar, e o Ita) lá na sauna pública de Kaupinoja.

Então, a gente sai da sauna (que estava aos 90 graus), damos com esta vista:

Landscape

E vamos indo, descendo pelos degraus gelados, até chegar na água também gelada. Esse ano nem tá dando muito trabalho pra abrir os buracos no gelo porque tem feito “calor” (a média tá em -1 grau). Aí está, os caras no lago:
No lago

Depois de sair fica aquela sensação das agulhas, principalmente nos pés, braços e mãos.
Os caras

Mitäs tapahtuu?

Sexta-feira retrasada (25), houve um incidente muito feliz, e infeliz ao mesmo tempo. Coisa trágica, de filme mesmo; que tu imagina só acontecer com os outros, malucos, que estão bem longe de tí. Teve essa “festa” (na verdade foi uma reuniãozinha) no apartamento do Timur, meu amigo russo. Acontece que ele tem essa amiga Veronika (RUS) que é uma grande amiga da Natasha, a vodka. E eles resolveram que iam tomar todas. Eu fui lá com o Cezar só porque o Tim é muito amigo nosso, trabalha também na Flander. A Veronika tem uma colega de apartamento finlandesa, a Riikka, que por sua vez tem um namorado finlandês (um grande imbecil, por sinal – já explico!). Bom, estava todo mundo lá, inclusive uma outra turma que eu chamei lááá de Kaukajärvi (bairro vizinho), Olga (Latvia), Sharon (UK), e Renatyna (Lithuânia).

Quando eu e o Cezar chegamos lá o pessoal já estava bem alto; mas nós, como bons velhotes que somos, não acompanhamos eles. No fim das contas o que era para ser uma mera reunião se tornou num dia de festa mesmo (night-out) e resolveram ir para o centro. Eis que então a Riikka comeca a entrar em conflitos com o namorado (que não estava lá e não estava respondendo ela), ficou chateada, e resolveu não sair. Nem demos muita pelota para ela, afinal ela que se resolva e cada um com seus problemas né… Chegamos então na parada de ônibus, quando a Veronika recebe uma sms da Riikka, dizendo que ela tinha tomado umas pílulas pra dormir. Os finlandeses quando ficam bêbados gostam muito de exagerar e falar bobagem, então essa mensagem para nós foi meio que uma piada. Talvez ela só estivesse tentando chamar atencão por ter ficado sozinha em casa.

Só que no meio da confusão ninguém levou a sério, exceto a Veronika (que voltou para ver a Riika). O resto do bando seguiu no ônibus, na direcão da gandaia (e eu junto). Imagine então o cenário: ônibus cheio de gente meio torta, sem nocão do perigo, e em casa uma suicida em potencial. Éééé amigo (como diria o Galvão), isso acontece de verdade. Eu fiquei me perguntando “mas diabos, será que a guria iria mesmo fazer isso?!? Ela estava comigo há 5 minutos, bem, normalzinha, e de repente resolveu tomar um overdose de remédios?! nãão, não pode ser…” e na verdade eu nem conseguia conceber a idéia de que alguém tão próximo a mim tentaria suicídio. Eu nem conseguia pensar nessa palavra, na verdade. Enquanto o ônibus se aproximava, resolví não arriscar e chamei uma ambulância. Pronto, estaria tudo resolvido, certo? Errado! Aí é que comecaram os problemas:

- Ei, alguém aqui sabe o telefone da ambulância? Hospital? Polícia? Ninguém.

- Motorista, o senhor fala inglês? Enmä (não, curto e grosso)

Éééé amigo (como diria o Galvão, novamente), a coisa tava complicando. Eis que então entra em cena o meu agucadíssimo, treinadíssimo finlandês-nível-básico! Note que a essa altura do campeonato eu era o único preocupado com a menina, considerando que realmente o pior estivesse acontecendo. O nervosismo é grande! Mas sem problemas, digo eu:

- Tyttö otti lääke … elääkeitä … nukkua … hätänä! Lähetä ambulanssi! Lukonmäki! (A menina tomou médico … remédios … dormir … emergência! Manda uma ambulância! Lukonmäki é o nome do bairro)

Puxa que alívio! Naqueles loooongos 3 ou 4 minutos (que pareciam uns 20), afinal eu conseguí descobrir o número da ambulância e ainda deu para passar a mensagem! Mas peraí…

- Alguém aqui sabe o endereco da Riikka?! Não!?Ahhh Meu Deus, dá uma forca aí que agora tá fora do meu alcance…” Timur, liga pra Veronika e pergunta! (e a mulher da ambulância esperando na linha)…

Enquanto o ônibus chacoalhava e deslizava na neve recém caída, conseguimos o endereco da menina e a ambulância foi para lá. Ainda bem que aqui as ambulâncias levam menos de 10 minutos pra chegar. Ante-ontem a Veronika me contou que quando ela chegou em casa, a Riika já estava inconsciente. Não sei como ela sabia que tinha que mantê-la acordada. Depois de muitos tapas na cara, a Riikka acabou acordando; mas estava sempre caindo no sono denovo. A Veronika ligou para o namorado da Riikka, que chegou em uns 4 minutos, e não fez absolutamente nada. Ficou lá, diz a Veronika, paradão com cara de tacho. Os “paramédicos” chegaram no apartamento segundos depois, na maior tranquilidade, pé-por-pé, na paz. Fizeram uma intra-venosa alí mesmo para a Riikka “devolver” as pílulas, e encaminharam ela para o hospital para fazer uma lavagem estomacal. No fim das contas deu tudo certo e ela está bem.

Mas depois disso eu fiquei pensando, como estas coisas podem acontecer de repente, com quem a gente menos espera. Esta tal de Riikka é uma “rica duma guria” (como diria meu pai), dancarina profissional, com talento e tudo mais, tem só 20 anos na cara! Não teria razão no mundo para ela fazer isso; mas mesmo assim, aí está… Parece que tinha, afinal, um motivo especial para eu ter ido nessa festa (eu não estava muito motivado).

Não sei o porquê, não entendo, e nem sei se quero saber… Sei que as minhas aventuras na Finlândia me renderam mais uma história triste para contar.

Primavera

Talvez alguém já tenha percebido que o inverno já foi embora – nas fotos da Nokia abaixo a neve já está quase toda derretida. A temperatura está sempre nos 3 ou 4 graus, e por volta das 4 da tarde chega a dar 9 graus ao sol. Ontem aproveitei para ir visitar uma torre de observação Näkötörni, ver o sol e tal…

A paisagem é tão bonita que deu para entender como eles conseguem sobreviver esse inverno tão rigoroso e escuro… tem que ter paciência e esperar por essa temporada tão bonita.

Buenas, chega de papo, vamos as fotos:

Não venha para a Finlândia

Andei recebendo várias mensagens de gente que está fascinado pela Finlândia e quer vir morar aqui. Os motivos são vários: desde decepções amorosas e impaciência com a política e corrupção até paixonite aguda por esportes de inverno.

Bem, este post vai dedicado aos fulanos/fulanas especialmente ao(à) que escreveu por último, convencido de que aqui seria tudo mil-maravilhas. Caro fulano ou fulana, não se iluda: não adianta fugir dos problemas, vais acabar encontrando outros.

As pessoas no Brasil tem mania de pensar que quem está no país está f*d*do e não tem jeito, as coisas nunca vão mudar. Tratam os nossos problemas como se fossem catastróficos castigos de Deus ou algo mais espetacular que os filmes do 007. Para essa gente também deixo uma mensagem: gente, tem jeito sim. Apesar dos pesares nossa situação nem é tão ruim. Se vc está lendo este post já pode se considerar muito sortudo, não está abaixo nem na linha da miséria. A classe média do Brasil pode ficar feliz, porque tem um padrão de vida que se equivale ou supera muitas classes médias de países desenvolvidos. Viajar para a praia e comer aquela picanha perfeita no domingo é coisa que só tem no Brasil, ou só tem quem tem muito dinheiro. A gente tem que aprender a dar valor para as coisas que nós temos. Os gringos sonham em ter acesso a uma prainha com frutas naturais e tudo mais, e a gente não enxerga o valor que essas coisas tem. Falo por mim mesmo: ficar aqui nesse lugar cinza, frio, e escuro; comendo comida sem gosto, sem tempeiro, vegetais crescidos em estufa (sem vitaminas), e nem um pedacinho de carne de gado; isso SIM é problema. Sem contar o comportamento das pessoas, que são frias e não estão nem aí se vc caiu um mega-tombo no gelo, ou se anda de cadeira de rodas e não consegue subir a rampa de acesso porque o chão congelou.

O Brasil foi abençoado com riquesas naturais que o mundo inteiro quer ter, com pessoas boas, e com uma diversidade de cultura, gastronimia, fauna, e flora; com uma miscigenação de povos que não existe em nenhum outro lugar do mundo. Que coisa mais sem graça andar na rua e ver os rostos todos parecidos! Que coisa mais sem graça ir no maior mercado-público de um país e ver 10 barraquinhas… Que coisa mais sem graça viajar 500km para o norte e não ver 1 diferença na paisagem!!!

Bom, eu não estou com tempo pra ficar escrevendo como o Brasil é (quase)perfeito e todas as vantagens que temos sobre os ouros países, mas para resumir: dinheiro não é tudo. Quem acha que ganhar em euros é a solução para tudo está enganado! Sair do Brasil para ganhar uns euros significa perder muito mais do que se imagina, e acredite, a troca não é vantajosa.