Mitäs tapahtuu?

Sexta-feira retrasada (25), houve um incidente muito feliz, e infeliz ao mesmo tempo. Coisa trágica, de filme mesmo; que tu imagina só acontecer com os outros, malucos, que estão bem longe de tí. Teve essa “festa” (na verdade foi uma reuniãozinha) no apartamento do Timur, meu amigo russo. Acontece que ele tem essa amiga Veronika (RUS) que é uma grande amiga da Natasha, a vodka. E eles resolveram que iam tomar todas. Eu fui lá com o Cezar só porque o Tim é muito amigo nosso, trabalha também na Flander. A Veronika tem uma colega de apartamento finlandesa, a Riikka, que por sua vez tem um namorado finlandês (um grande imbecil, por sinal – já explico!). Bom, estava todo mundo lá, inclusive uma outra turma que eu chamei lááá de Kaukajärvi (bairro vizinho), Olga (Latvia), Sharon (UK), e Renatyna (Lithuânia).

Quando eu e o Cezar chegamos lá o pessoal já estava bem alto; mas nós, como bons velhotes que somos, não acompanhamos eles. No fim das contas o que era para ser uma mera reunião se tornou num dia de festa mesmo (night-out) e resolveram ir para o centro. Eis que então a Riikka comeca a entrar em conflitos com o namorado (que não estava lá e não estava respondendo ela), ficou chateada, e resolveu não sair. Nem demos muita pelota para ela, afinal ela que se resolva e cada um com seus problemas né… Chegamos então na parada de ônibus, quando a Veronika recebe uma sms da Riikka, dizendo que ela tinha tomado umas pílulas pra dormir. Os finlandeses quando ficam bêbados gostam muito de exagerar e falar bobagem, então essa mensagem para nós foi meio que uma piada. Talvez ela só estivesse tentando chamar atencão por ter ficado sozinha em casa.

Só que no meio da confusão ninguém levou a sério, exceto a Veronika (que voltou para ver a Riika). O resto do bando seguiu no ônibus, na direcão da gandaia (e eu junto). Imagine então o cenário: ônibus cheio de gente meio torta, sem nocão do perigo, e em casa uma suicida em potencial. Éééé amigo (como diria o Galvão), isso acontece de verdade. Eu fiquei me perguntando “mas diabos, será que a guria iria mesmo fazer isso?!? Ela estava comigo há 5 minutos, bem, normalzinha, e de repente resolveu tomar um overdose de remédios?! nãão, não pode ser…” e na verdade eu nem conseguia conceber a idéia de que alguém tão próximo a mim tentaria suicídio. Eu nem conseguia pensar nessa palavra, na verdade. Enquanto o ônibus se aproximava, resolví não arriscar e chamei uma ambulância. Pronto, estaria tudo resolvido, certo? Errado! Aí é que comecaram os problemas:

– Ei, alguém aqui sabe o telefone da ambulância? Hospital? Polícia? Ninguém.

– Motorista, o senhor fala inglês? Enmä (não, curto e grosso)

Éééé amigo (como diria o Galvão, novamente), a coisa tava complicando. Eis que então entra em cena o meu agucadíssimo, treinadíssimo finlandês-nível-básico! Note que a essa altura do campeonato eu era o único preocupado com a menina, considerando que realmente o pior estivesse acontecendo. O nervosismo é grande! Mas sem problemas, digo eu:

– Tyttö otti lääke … elääkeitä … nukkua … hätänä! Lähetä ambulanssi! Lukonmäki! (A menina tomou médico … remédios … dormir … emergência! Manda uma ambulância! Lukonmäki é o nome do bairro)

Puxa que alívio! Naqueles loooongos 3 ou 4 minutos (que pareciam uns 20), afinal eu conseguí descobrir o número da ambulância e ainda deu para passar a mensagem! Mas peraí…

– Alguém aqui sabe o endereco da Riikka?! Não!?Ahhh Meu Deus, dá uma forca aí que agora tá fora do meu alcance…” Timur, liga pra Veronika e pergunta! (e a mulher da ambulância esperando na linha)…

Enquanto o ônibus chacoalhava e deslizava na neve recém caída, conseguimos o endereco da menina e a ambulância foi para lá. Ainda bem que aqui as ambulâncias levam menos de 10 minutos pra chegar. Ante-ontem a Veronika me contou que quando ela chegou em casa, a Riika já estava inconsciente. Não sei como ela sabia que tinha que mantê-la acordada. Depois de muitos tapas na cara, a Riikka acabou acordando; mas estava sempre caindo no sono denovo. A Veronika ligou para o namorado da Riikka, que chegou em uns 4 minutos, e não fez absolutamente nada. Ficou lá, diz a Veronika, paradão com cara de tacho. Os “paramédicos” chegaram no apartamento segundos depois, na maior tranquilidade, pé-por-pé, na paz. Fizeram uma intra-venosa alí mesmo para a Riikka “devolver” as pílulas, e encaminharam ela para o hospital para fazer uma lavagem estomacal. No fim das contas deu tudo certo e ela está bem.

Mas depois disso eu fiquei pensando, como estas coisas podem acontecer de repente, com quem a gente menos espera. Esta tal de Riikka é uma “rica duma guria” (como diria meu pai), dancarina profissional, com talento e tudo mais, tem só 20 anos na cara! Não teria razão no mundo para ela fazer isso; mas mesmo assim, aí está… Parece que tinha, afinal, um motivo especial para eu ter ido nessa festa (eu não estava muito motivado).

Não sei o porquê, não entendo, e nem sei se quero saber… Sei que as minhas aventuras na Finlândia me renderam mais uma história triste para contar.

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